FIES medicina 2026: teto, renda e quem paga a diferença

· Atualizado em 2026-09-23 · 9 min de leitura

Quem pode usar o FIES em medicina em 2026, o teto de R$ 78 mil por semestre, quem paga a diferença da mensalidade e como fica a dívida depois de formado.

O FIES medicina financia até R$ 78.000 por semestre, teto fixado pela Resolução MEC nº 63/2025. Para concorrer, você precisa de média 450 no Enem, redação acima de zero e renda familiar de até 3 salários mínimos por pessoa. Quem está no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa pode financiar até 100% da mensalidade, dentro desse teto.

Quem pode usar o FIES para medicina

As regras em vigor estão no Edital SESu nº 52/2026, que abriu a seleção do 2º semestre de 2026. Você precisa ter feito o Enem a partir da edição de 2010, com média igual ou superior a 450 pontos nas cinco provas, nota de redação acima de zero e sem ter participado como treineiro. A renda bruta familiar mensal por pessoa vai até 3 salários mínimos. O sistema usa a edição do Enem em que você teve a maior média.

As perguntas frequentes do MEC sobre o Fies acrescentam uma renda familiar bruta mínima de um salário mínimo, que não vale para quem concorre pelo Fies Social. O edital também barra quem ainda não quitou um Fies anterior e quem está em fase de uso de outro contrato.

Medicina não tem nota mínima própria no edital. A classificação segue a média do Enem dentro de cada grupo de preferência, e o FiesSeleção mostra uma nota de corte durante as inscrições, só como referência. Se a sua média fica abaixo das faculdades mais disputadas, a lista de particulares de medicina menos concorridas ajuda a encontrar alternativas.

Vagas do Fies em medicina têm regra própria

Pelo Edital SESu nº 40/2026, um curso de medicina com conceito 3, 4 ou 5 no Sinaes pode oferecer ao Fies até 100% das suas vagas, e um curso que só tem ato de autorização pode oferecer até 25%. Nos outros cursos, o limite é de 40% com conceito 4 e 30% com conceito 3.

Na distribuição, o MEC separa primeiro todas as vagas de medicina ofertadas pelas faculdades e só depois reparte o restante por região e área, conforme o anexo I do edital 52. Metade das vagas de cada grupo fica reservada ao Fies Social.

No 2º semestre de 2026, as inscrições foram de 14 a 19 de julho, porque o Edital SESu nº 59/2026 estendeu o prazo que acabava no dia 17, e a lista de espera vai até 24 de setembro. Até 23 de setembro de 2026, o MEC não tinha publicado o edital de 2027. Os editais saem no Portal Acesso Único e na página de legislação do Fies.

Quanto o FIES financia por semestre em medicina

A Resolução MEC nº 63, de 24 de julho de 2025, fixou o valor máximo financiável em R$ 78.000 por semestre para medicina, R$ 42.983,70 para os outros cursos e R$ 300 como valor mínimo. Esses limites valem para contratos novos e renovações a partir do 2º semestre de 2025. Antes, o teto de medicina era R$ 60.000, segundo comunicado da Caixa.

O teto é só um limite. O valor financiado vem do percentual que você recebe na seleção, aplicado sobre a semestralidade com desconto, e se essa conta passar de R$ 78.000 a Caixa corta o financiamento no teto.

Esse percentual depende da renda por pessoa da família e do valor do curso, e desde o 2º semestre de 2018 não pode ficar abaixo de 50%, segundo o MEC. A fórmula usa um coeficiente menor para medicina (0,5%, 1% ou 1,5%, conforme o conceito do curso) do que para os demais cursos (1,5%, 3% ou 4,5%). Como esse coeficiente é subtraído na conta, medicina tende a ter percentual financiado maior para a mesma renda e a mesma mensalidade.

RegraComo está em 2026Norma
Nota do EnemMédia de 450 ou mais, edição de 2010 em dianteEdital SESu nº 52/2026
RedaçãoNota acima de zeroEdital SESu nº 52/2026
Renda por pessoaAté 3 salários mínimosEdital SESu nº 52/2026
Fies SocialRenda até meio salário mínimo e CadÚnico, até 100% dos encargos dentro do teto, 50% das vagasEdital SESu nº 52/2026
Teto por semestre em medicinaR$ 78.000Resolução MEC nº 63/2025
Teto nos outros cursosR$ 42.983,70Resolução MEC nº 63/2025
Percentual mínimo financiado50%, fora do Fies SocialResolução nº 23/2018, segundo o MEC
Correção do saldo (contratos desde 2018)Variação do IPCA, capitalização anualResolução CMN nº 4.974/2021
Início do pagamentoMês seguinte à conclusão do cursoLei 10.260/2001, art. 5º-C
Diferença acima do tetoNão pode ser cobrada do estudante nos contratos desde 2026.1Resolução MEC nº 63/2025

Mensalidade acima do teto: quem paga a diferença

Nos contratos assinados a partir do 1º semestre de 2026 vale o Compromisso Fies, previsto nos artigos 1º e 2º da Resolução MEC nº 63/2025. Se a faculdade cobra mais que o teto, a remuneração dela fica limitada ao teto, a sua coparticipação é calculada só sobre esse valor e a diferença não pode ser exigida de você.

A página do Fies na Caixa mostra um exemplo com semestralidade hipotética de R$ 100.000 em medicina. Com financiamento de 100%, não há coparticipação e o boleto traz só seguro prestamista e taxa administrativa. Com 50%, a coparticipação fica em R$ 39.000 no semestre, metade dos R$ 78.000, mais seguro e taxa. Os R$ 22.000 acima do teto não podem ser cobrados de você, nem como taxa extra.

Entidades das faculdades particulares contestam a regra, e o Semesp chegou a chamá-la de ilegal e a dizer que levaria o caso ao MEC. Para contratos assinados até o 2º semestre de 2025, a Anup entende que o estudante continua pagando a diferença entre a mensalidade e o valor financiado. Se esse é o seu caso, confira o contrato e o boleto antes de cada renovação.

Exemplo com a mensalidade de uma faculdade real

A Unoeste informa que aceita Fies em medicina nos campi de Presidente Prudente, Jaú e Guarujá. Na tabela de valores do 1º semestre de 2026, a mensalidade de medicina é R$ 12.092 com desconto de pontualidade, e o semestre de seis parcelas sai por R$ 72.552 com desconto.

Esse valor fica abaixo do teto de R$ 78.000, então o limite não corta nada. Com o percentual mínimo de 50%, o Fies pagaria R$ 36.276 no semestre e a sua coparticipação seria outros R$ 36.276, ou R$ 6.046 por mês, além do seguro e da taxa. No Fies Social com 100%, a coparticipação cairia a zero. O valor que entra no contrato é o que a faculdade informa ao Fies no termo de participação, então use essa conta como referência.

Juros e coparticipação durante o curso

Nos contratos feitos desde janeiro de 2018, a Resolução CMN nº 4.974/2021 define a taxa como a variação do IPCA, com capitalização anual. É o que a Lei 10.260/2001 chama de taxa de juros real igual a zero: a dívida acompanha a inflação, sem juro acima dela.

Enquanto estuda, você paga todo mês a coparticipação, que é a parte da mensalidade que o Fies não cobre, num boleto único ao banco. Na Caixa, esse boleto também traz o seguro prestamista, que o MEC torna obrigatório, e a taxa administrativa. Se você atrasar a coparticipação ou esses encargos, o artigo 5º-C da lei trava a renovação semestral até a dívida ser regularizada.

Fies, Fies Social e P-Fies

O Fies da seleção pelo Enem, para renda de até 3 salários mínimos por pessoa, é operado só pela Caixa. Nos contratos desde 2018, o banco faz o papel de agente operador, agente financeiro e gestor dos fundos garantidores, segundo a página do Fies na Caixa.

O Fies Social funciona dentro dessa mesma seleção. Ele reserva 50% das vagas para quem tem renda de até meio salário mínimo por pessoa e cadastro ativo no CadÚnico, e permite financiar até 100% dos encargos, respeitado o teto. Esse candidato também fica dispensado de comprovar renda na faculdade, pelo edital 52.

O P-Fies, previsto no artigo 15-D da Lei 10.260, pode financiar até 100% dos encargos, não conta com a garantia do FG-Fies e segue regulamentação própria, que define inclusive as faixas de renda. Consulte o portal do P-Fies antes de contar com ele no planejamento.

Como é o pagamento do FIES depois de formado

Pela Lei 10.260, o pagamento começa no mês seguinte à conclusão do curso. A parcela é um percentual da sua renda. Se você for empregado, o empregador desconta na folha; autônomos e sócios de empresa recolhem por conta própria. Sem renda, você paga o valor mínimo definido pelo Comitê Gestor. O MEC estima a quitação em cerca de 14 anos, e você pode antecipar pagamentos quando quiser.

A lei prevê dois benefícios para médicos, e as regras mudam conforme o ano do contrato. O primeiro é um abatimento para médico de equipe de Saúde da Família ou médico militar em áreas prioritárias do Ministério da Saúde. O artigo 6º-B fala em 1% do saldo devedor por mês, e o artigo 6º-F, que vale para contratos assinados a partir de 2018, prevê para esses médicos abatimento de até 50% da parcela mensal. O serviço no gov.br pede um ano ininterrupto de trabalho com jornada de 40 horas, ou 32 horas em equipes ribeirinhas ou de Saúde da Família em municípios prioritários.

O segundo, do artigo 6º-B, estende a carência durante a residência em especialidade prioritária. O pedido no gov.br vale para residentes em uma das 19 especialidades definidas pelo Ministério da Saúde, em dia com o Fies e com o contrato na fase de carência. Nos contratos feitos desde 2018 o pagamento começa no mês seguinte à formatura, então confirme com a Caixa se o seu contrato tem fase de carência antes de contar com esse pedido. Para estimar quanto a parcela vai pesar, veja quanto ganha um médico.

Como pagar faculdade de medicina com bolsa e FIES

Se você procura bolsa para medicina em faculdade particular, o programa federal é o ProUni. Pela Lei 11.096/2005, a bolsa integral vai para renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa e a parcial de 50%, para renda de até 3 salários mínimos. Com a bolsa parcial, você pode usar o Fies para financiar a parte que ela não cobre, como prevê o artigo 4º, § 19, da Lei 10.260.

O MEC impõe duas condições. Bolsa e financiamento precisam ser do mesmo curso na mesma instituição, e quem tem bolsa integral só pode contratar o Fies depois que a bolsa for encerrada.

O FIES paga medicina até R$ 78.000 por semestre, com saldo corrigido pela inflação e parcela ligada à renda depois de formado, desde que você tenha média 450 no Enem e renda de até 3 salários mínimos por pessoa. Em contratos novos, a faculdade não pode repassar a diferença acima do teto. O próximo passo é entender o programa inteiro no guia do FIES e, se você já tem contrato, ver como emitir boleto e renegociar no SisFIES e na Caixa.

Fontes

Todas consultadas em 23/09/2026.

Perguntas frequentes

Qual a nota mínima do FIES para medicina?
O edital do Fies do 2º semestre de 2026 pede média de 450 pontos nas cinco provas do Enem, feito a partir de 2010, e redação acima de zero. Não existe nota mínima própria para medicina. A disputa acontece pela nota de corte do grupo de preferência, que o FiesSeleção mostra durante as inscrições.
Quanto o FIES financia por semestre em medicina?
Até R$ 78.000 por semestre, valor da Resolução MEC nº 63/2025 para contratos e renovações a partir do 2º semestre de 2025. Nos outros cursos o teto é R$ 42.983,70. Dentro desse limite, o percentual financiado depende da renda por pessoa e fica em pelo menos 50%. No Fies Social ele pode chegar a 100%.
Se a mensalidade de medicina passar do teto, quem paga a diferença?
Nos contratos assinados a partir do 1º semestre de 2026, a faculdade não pode cobrar de você a diferença entre a semestralidade e os R$ 78.000, nem como coparticipação. A coparticipação é calculada só sobre o teto. Quem assinou antes deve conferir o próprio contrato, porque a proibição foi criada para os contratos novos.
Dá para usar ProUni e FIES juntos em medicina?
Dá, se a bolsa do ProUni for parcial. A Lei 10.260 permite financiar pelo Fies a parte da mensalidade que a bolsa de 50% não cobre, e o MEC exige que os dois sejam no mesmo curso e na mesma faculdade. Quem tem bolsa integral só pode contratar o Fies depois que a bolsa for encerrada.
Quando começo a pagar o FIES de medicina?
Nos contratos feitos desde 2018, o pagamento começa no mês seguinte à conclusão do curso. A parcela é um percentual da sua renda e, se você for empregado, sai direto da folha. Sem renda, você paga o valor mínimo. O saldo é corrigido pelo IPCA, e o MEC estima a quitação em cerca de 14 anos.

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